sábado, 7 de maio de 2011
Siso
Se eu soubesse que mesmo aos 20 anos iam ficar enchendo meu saco, eu tinha feito bobagem aos 14 já que "tá na idade", já que valorizam o "errar para aprender". Pelo visto não ter feito bobagens na minha adolescência aparentemente não significa que tenho bom senso, crédito ou voto de confiança... Pelo visto isso significa apenas que eu não errei o "bastante" para hoje poder dizer que tenho juízo. É, claro, isso faz todo o sentido do mundo. ¬¬'
quinta-feira, 28 de abril de 2011
O Navegante Estelar
Era uma vez um navegante que havia nascido das estrelas, uma linda e cintilante família.
Um dia ele conheceu a Lua e se apaixonou por ela. Estava com dois corações: deixaria as estrelas para ficar junto a Lua ou deixaria a Lua para ficar junto as estrelas?
Todas as noites as estrelas estavam lá. A Lua às vezes estava, às vezes não, às vezes aparecia pela metade... Mas as estrelas sempre estavam lá. Todos ao seu redor diziam para escolher quem sempre esteve ao seu lado. Mas ele já sabia o que esperar das estrelas. E talvez exatamente por isso, ele sentia a vontade que todo navegante tem de ir descobrir o novo.
Seus instintos escolhiam a Lua. Sua razão escolhia as estrelas. Deveria ele trocar o certo pelo duvidoso? Pensou, racionalizou e racionalizando se deu de conta que a razão era algo que ele havia aprendido. E se aprendeu, levaria consigo onde fosse. Já instintos não se aprendem. A razão existe para nos proteger da impulsividade. Mas nenhuma resposta racional poderia responder o por quê de ele se sentir atraído pela Lua. Então finalmente decidiu: escolheu a Lua.
A partir daí, as estrelas viraram mapas para que ele não desviasse nunca do caminho correto durante suas viagens. E a Lua não só controlava suas marés como sempre o surpreendia em suas fases.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Sol de Amor II
Hoje descobri que o Sol não era você, mas sim eu. Eu era a estrela do amor. Era a ideia que eu fazia de você. Você está mais para lua: aparece quando quer, de vez em quando, ora cheio de amor, ora vazio...
Sim, a lua me fascina. Mas o fato de eu adorá-la não me torna especial porque, para falar a verdade, não sou eu que adoro ela. Ela é que é sedutora! Então é claro que as pessoas se apaixonam pela lua. E todas elas acreditam ser merecedoras... Como eu também acreditei uma vez.
As pessoas querem ver diferenças em comum e semelhanças incomuns e inventam que o Sol e a lua, mesmo que seja rara as vezes em que se encontram, são enamorados.
De fato quando a lua cobre o sol, algo grandioso acontece. Surgem estrelas que nunca foram vistas antes, parece que todo mundo corre para testemunhar esse caminho cruzado, mas logo passa. E no final, é tudo sobre estrelas, sempre foi sobre estrelas...
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Coquinho
Lá do alto despencou. Sabia que um dia cairia, afinal, todos ao seu redor haviam passado por isso... Era um processo normal. Mas não sabia que iria doer tanto.
Era duro por natureza, mas com a queda foi se abrindo aos poucos, ao contrário de muitos que despencam do céu e não sabem mais serem suaves dando uma nova condição dura para sua vida.
Desde que era um coquinho todos ao seu redor diziam:
"Quando sonhamos alto devemos ser leves e quando caímos devemos ser fortes!"
Mas não era assim que ele estava se sentindo... Tinha sido forte e duro lá no alto, se preparando para quando ficasse com os pés no chão pudesse ser o mais doce possível.
E agora, caído, estava finalmente ao alcance dos sedentos pela sua água.
Era duro por natureza, mas com a queda foi se abrindo aos poucos, ao contrário de muitos que despencam do céu e não sabem mais serem suaves dando uma nova condição dura para sua vida.
Desde que era um coquinho todos ao seu redor diziam:
"Quando sonhamos alto devemos ser leves e quando caímos devemos ser fortes!"
Mas não era assim que ele estava se sentindo... Tinha sido forte e duro lá no alto, se preparando para quando ficasse com os pés no chão pudesse ser o mais doce possível.
E agora, caído, estava finalmente ao alcance dos sedentos pela sua água.
sábado, 23 de abril de 2011
As Mudanças da Cerejeira
Era uma vez uma muda. As pessoas que a conheciam a achavam misteriosa, mas ninguém parava para cuidar dela.
Um dia alguém decidiu fazer isso. Foi por mera curiosidade, para vê-la florescer e descobrir de que espécie ela era. E a muda floresceu. E muitos bateram palmas. "Até que enfim!" diziam.
"Até que enfim o quê? Estavam com pressa? Pressa pra quê?", pensou a muda.
Depois de florida, novas pessoas chegaram com suas opiniões formadas, esquecendo que ela estava nova e ainda ia passar por muitas abelhas, borboletas, tempestades, invernos... As pessoas que acompanharam seu crescimento já não estavam mais por ali. Umas se mudaram, outras a morte levou... A muda precisava fazer outro número! As flores rosadas não era mais o suficiente. A beleza já não era mais novidade para aquela gente. Eles não se importavam se ela ia crescer, se fortalecer ou florescer... Eles queriam que ela fosse útil para eles, que lhes oferecesse algo. Então decidiu dar frutos, pequenos e avermelhados. Mas com o passar do tempo, deixou de ser novidade e os frutos já forravam o chão.
E então a árvore, outrora muda, percebeu que já não teria muitas novidades para apresentar a partir dali. Não teria mais nenhum número especial para que amassem ela. Logo ela cairia no esquecimento... E então a estação do ano mudou.
E ela percebeu que não precisaria surpreender sempre as pessoas. Que as estações do ano se encarregariam disso.
A árvore de cerejeira permaneceu e muitas pessoas passaram pela vida dela, esperando coisas diferentes. Já não havia mais aquela expectativa do que ela seria. Todos já a conheciam. Inclusive ela mesma. Deixou de ser muda para ser mudança.
Um dia alguém decidiu fazer isso. Foi por mera curiosidade, para vê-la florescer e descobrir de que espécie ela era. E a muda floresceu. E muitos bateram palmas. "Até que enfim!" diziam.
"Até que enfim o quê? Estavam com pressa? Pressa pra quê?", pensou a muda.
Depois de florida, novas pessoas chegaram com suas opiniões formadas, esquecendo que ela estava nova e ainda ia passar por muitas abelhas, borboletas, tempestades, invernos... As pessoas que acompanharam seu crescimento já não estavam mais por ali. Umas se mudaram, outras a morte levou... A muda precisava fazer outro número! As flores rosadas não era mais o suficiente. A beleza já não era mais novidade para aquela gente. Eles não se importavam se ela ia crescer, se fortalecer ou florescer... Eles queriam que ela fosse útil para eles, que lhes oferecesse algo. Então decidiu dar frutos, pequenos e avermelhados. Mas com o passar do tempo, deixou de ser novidade e os frutos já forravam o chão.
E então a árvore, outrora muda, percebeu que já não teria muitas novidades para apresentar a partir dali. Não teria mais nenhum número especial para que amassem ela. Logo ela cairia no esquecimento... E então a estação do ano mudou.
E ela percebeu que não precisaria surpreender sempre as pessoas. Que as estações do ano se encarregariam disso.
A árvore de cerejeira permaneceu e muitas pessoas passaram pela vida dela, esperando coisas diferentes. Já não havia mais aquela expectativa do que ela seria. Todos já a conheciam. Inclusive ela mesma. Deixou de ser muda para ser mudança.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Me salva!
Sobrevivendo por pura ansiedade não consigo encarar o dia porque, logo cedo, ao me olhar no espelho vejo, em cada fibra do meu ser, o reflexo das nossas promessas e sonhos. Eu sou apenas o reflexo do nosso amor. Tudo o que mais amei, pouco a pouco, começa a cair em esquecimento e é abafado pelos escombros e novas construções...
Soterrada, pisoteada, trancafiada e contida, corro atrás da esperança, presa numa camisa de força chamada coração...
E os fragmentos de amor ao meu redor vão morrendo aos poucos, uns abraçados a outros, esperando eterna e inutilmente que o outro acorde...
Ninguém vai me salvar?
Aos poucos meu coração vai perdendo a voz, perdendo a fé, perdendo a vez...
Contesta-me! Salva-me da escuridão! Salva-me do esquecimento! Mostrando-me que essa queda, realmente, valeu a pena... Apenas salva-me daqui.
Soterrada, pisoteada, trancafiada e contida, corro atrás da esperança, presa numa camisa de força chamada coração...
E os fragmentos de amor ao meu redor vão morrendo aos poucos, uns abraçados a outros, esperando eterna e inutilmente que o outro acorde...
Ninguém vai me salvar?
Aos poucos meu coração vai perdendo a voz, perdendo a fé, perdendo a vez...
Contesta-me! Salva-me da escuridão! Salva-me do esquecimento! Mostrando-me que essa queda, realmente, valeu a pena... Apenas salva-me daqui.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Epitáfio Precoce
Conheço gente que se faz de mal amado para ser aceito porque se as pessoas te vêem feliz e esperançoso elas dizem que você não sabe nada da vida REAL. Parece que é errado ser feliz, porque as pessoas que sofreram querem um reconhecimento.
Elas percebem vidas fáceis e felizes e dizem que isso não é viver, é se aproveitar de quem sofreu e lutou por um mundo melhor, com uma pontinha de "falem de mim para que eu possa falar mais um pouco".
E para ter esse reconhecimento, elas precisam contar suas histórias e para que suas histórias sejam mais legais elas precisam ANULAR a sua, dizendo que você também não tem uma. E o que te resta para ter história? Querer e enaltecer a sofridão e largar de mão as coisas simples que te faz feliz.
Elas percebem vidas fáceis e felizes e dizem que isso não é viver, é se aproveitar de quem sofreu e lutou por um mundo melhor, com uma pontinha de "falem de mim para que eu possa falar mais um pouco".
E para ter esse reconhecimento, elas precisam contar suas histórias e para que suas histórias sejam mais legais elas precisam ANULAR a sua, dizendo que você também não tem uma. E o que te resta para ter história? Querer e enaltecer a sofridão e largar de mão as coisas simples que te faz feliz.
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