sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Se Respeitar

Hoje, arrumando a gaveta da minha escrivaninha, encontrei o Oráculo da Witch - um livrete que veio de brinde de uma revista que eu costumava comprar na minha adolescência - e decidi abrir em uma página qualquer depois de me concentrar em um problema. O que eu vi foi o seguinte:



Fiquei parada por alguns segundos refletindo sobre o problema e a resposta que o Oráculo me deu. Eu havia brigado feio com um amigo e decidi me afastar do grupo inteiro. E aquela mensagem havia me deixado confusa: o que é cuidar da auto-estima? O que aquilo queria dizer? Eu deveria saber o meu valor e não dar mais bola para a briga, fazendo as pazes ou eu deveria saber o meu valor e não dar mais bola para o grupo me afastando deles?

Então travei um diálogo comigo mesma que durou alguns minutos e cheguei a uma conclusão: é tênue a linha entre o respeito e o ego; entre o amor próprio e o narcisismo.

Quando você se ama, você quer o seu bem. Você toma remédio mesmo que ruim para ficar curada. Quando você é narcisista, você olha para sua vaidade, se está bonita ou não. Você não se trata porque o remédio é ruim, então você se maquia.

Quando você se ama, você quer se encher de conhecimento mesmo que tenha que se passar por ignorante, mesmo que te ofendam. Quando você é narcisista você tem medo de parecer ignorante e se sentir ofendida então defende com unhas e dentes uma opinião mal formada para não dar o braço a torcer e não cresce.

O respeito e o amor é algo pessoal, não é para os outros. Se for para os outros é ego e narcisismo. Se precisamos provar que somos merecedores de respeito já estaremos dizendo que não o somos.

Vou dar um exemplo porque adoro exemplificar, sai um pouco da parte teórica onde as pessoas não sabem como e onde aplicariam algumas ideias e passam a entender melhor. Simplesmente amo exemplos!

Você quer transar com alguém e esse alguém quer transar com você. Então por que fingir que não quer fazer isso logo? Por que se fazer de difícil? Para a pessoa não te achar isso ou aquilo e saber dar o valor que você merece? Assim você já está se colocando um preço, uma condição... E o amor é incondicional! É ele que vai te permitir ter suas experiências, é ele que vai carimbar o seu atestado de caráter, de alguém que não se amargura pelos outros, não se ofende, não se envaidece, não se amedronta, apenas ama, porque sabe o que se é, sabe que pode se ferir, que pode se magoar, mas sabe que isso é aprendizado, que a vida é uma grande experiência. Experiência sim porque ela não é uma prova. Não vamos sair daqui mestrados ou doutorados. Não é uma conclusão. As pessoas morrem a caminho de seus cursos. É uma obra inacabada. Até mesmo quando tivermos 80 anos estaremos aprendendo coisas novas e não teremos aprendido tudo.

Respeito e amor é saber que pode cair da bicicleta e que vai ralar o joelho, mas que no final estará pedalando e poderá ir aonde quiser. O amor não é só flores, são espinhos também. E o que se faz então? Se calça luvas para mexer com os espinhos. Simples. Se houver uma rosa sem espinhos certeza de que ela é comprada ou artificial. Certeza de que é de mentira.

As pessoas tem confundido muito a verdade com a mentira, o certo com o errado, o respeito com o ego, o prático com o descartável, o barato com o bom, o sacrifício com o esforço e o esforço com recompensa.

Não estou dizendo que para ter amor e respeito seja você tenha que sofrer. Se chicotear não te fará uma pessoa mais amorosa ou respeitosa, te tornará mais ferida apenas. Mas o sofrimento é inevitável - se você não for um psicopata - e você tem que aprender a lidar com ele, aprender contorcionismo para desviar deles com graça e elegância, como se estivesse bailando. Porque ele virá e não adiantará entrar em pânico. E se não vier, desconfie de que esteja presa na matrix, desconfie de que esteja sendo enganada em uma vida de artifícios, truques e gambiarras.

Quando nos amamos queremos nosso bem, queremos nos ver crescidos, realizados, sábios... Não nos tratamos como indigentes que fingimos não ver que está passando necessidade e que damos alguns trocados para aliviar nossa consciência e massagear nosso ego.

Você não está se respeitando, respeitando seus desejos, suas vontades, seu corpo, seu coração quando faz algo apenas para provar algo para os outros. Você está se sabotando. Você está indiretamente dizendo que sua atitude é de alguém que não presta e por isso os outros podem acabar pensando mal de você, logo precisa provar algo agindo de outra forma. Não prove nada para ninguém. Prove para si mesma. Mostre que você se respeita e não se deixe cair nessa armadilha do ego.

Então entendi: entre fazer as pazes e me afastar não há certo ou errado porque tudo depende muito da motivação que se tem para fazer algo. É para provar que aquilo não te abalou? Está errado. É para provar que ninguém fala assim com você? Está errado. Tudo o que for para provar algo para outras pessoas estará errado. Se você realmente não se abalou, faça as pazes, puxe o assunto, não interessa se vão te chamar de trouxa. Se você realmente se abalou, se afaste, não interessa se as pessoas vão dizer que você está fazendo drama para que corram atrás de você. Não queira entrar na pilha de provar algo para alguém porque a pessoa pode ter a mesma ideia. Apenas respeite o que você está sentido, quem você é. Apenas se respeite.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Rosa Nacarada

Dizem que a rosa simboliza a vida
Por ter cores, espinhos e pétalas caídas

Dizem que uma rosa vermelha se dedica
À uma pessoa amada, significa:

Querer vê-la desabrochada
Exposta, nua e desvendada!

Sem segredos!

E se esquece que
O que a torna diferente
Das outras flores
São justamente
Seus enredos
Suas pétalas
Seus amores

E o meu erro foi esse
Querer te desvendar, querer te expor
Suas pétalas espalhar
Para o mundo ver o teu amor

Me desculpe por te desvendar
E seus segredos, um por um, arrancar

Não foi minha intenção te ferir
Só queria te descobrir
Pois sabia que você era especial
Mas esqueci que também era mortal...

Quis te expor, compartilhar, eternizar
Mas não vi a problemática:
Só a morte é que é eterna
A vida não é estática!

Rosa Nacarada
Rosa Vermelha de Sangue
Eu peço perdão

Suas pétalas agora parecem
Gotas de sangue ao chão
Como as que agora pingam
De dentro do meu coração...

terça-feira, 23 de julho de 2013

Motivos

- Uma amiga confessou querer casar com o primo dela. Que absurdo né?
- Ah, não acho. Se os dois estão de comum acordo...
- Ai, mas são da mesma família!
- Sim, eu sei o que é um primo.
- Não parece, pois pesquisas dizem que há a chance de eles terem uma criança deformada.
- Pelo que eu sei a chance aumenta pela possibilidade dos dois terem herdado dos avós, ou um descendente em comum, um gene causador de doenças. Aí a probabilidade desse gene se manifestar no bebê é maior. Mas se não tiverem esses genes em comum, então tudo bem. E se tiverem, é só adotar, não?
- Tá, mas são do mesmo sangue! Imagina transar com alguém do mesmo sangue!
- Isso é um problema apenas se algum deles tem alguma DST. Porque ninguém precisa abrir uma ferida para o sangue ter contato com o do outro durante o ato. E isso vale até para quem não tem parentesco.
- Ai, para! Se fosse tão normal mais gente estaria fazendo. Por que ninguém faz?
- Ué, mas tem sim gente que faz! Essa ideia de que não podemos casar com alguém da mesma família é antiga e tem a ver com herança. Se a família fosse pobre, ela não ia querer que se casassem entre si, pois continuariam na pobreza. Se a família fosse rica, eles casavam entre si para não ter que dividir a fortuna com ninguém. Tudo depende. Também tem a questão de ver o outro como um irmão caso tenham sido criados juntos, o que geralmente é o que acontece. É tão difícil a gente achar alguém que a gente ama e queira passar o resto da vida. O mundo tem tantas pessoas e às vezes passamos a vida sem encontrarmos a certa... Acho injusto a pessoa ter tido a grande sorte que muitos não tem de ter essa pessoa ali do lado, mas não poderem ficar juntos porque os outros vão achar estranho e ter que se obrigar a procurar fora por meses e talvez anos, por causa dos outros, sendo que o “amor da tua vida” está bem ali do teu lado... Aliás, onde fica o amor nessa história de casamento?
- É... Pois é. Bem a discussão tá boa, mas tenho que ir. Vou dar uma passada na casa do meu primo.

- Tá. Até mais.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Ai, Minha Reputação...

Muitas pessoas tem receio de demonstrar o que sentem, de expor o que pensam, não sabem mais sentir, pensar nem chorar por medo de ofenderem a si mesmas... Orgulho! Não podemos deixar que pensem que somos idiotas, né? Temos que ser inflexíveis, não podemos mudar porque nos ensinaram que temos algo chamado “essência” e que isso é tudo que teremos pelo resto da vida e por isso não devemos traí-la. Ela tem que se manter sempre a mesma.

Mas se temos uma essência só nossa, por que quando pensamos sobre um assunto ou temos sentimentos estranhos temos que nos policiar para pararmos? Por que o receio de perder a essência no meio do caminho? Se ela é nossa e faz parte de nós, por que temos que agarrá-la? Ela deveria nos seguir e, inclusive, nos impulsionar a pensar, sentir... Não? Por que temos que parecer cheios de certeza o tempo todo ainda mais quando isso nos faz mal e faz mal aos outros? Por que temos que parecer “maus”?

As pessoas não são más. Mas estão duras de coração. Não podem demonstrar nada porque aprenderam que alguém sempre vai abusar das suas fragilidades e acabam se tornando rígidas, brutas, intolerantes, rudes... Como amar sem amar? Pior ainda, como amar numa sociedade que confunde ser confiante com parecer confiante, com dicas externas para aparentar ser confiante, e não dicas internas para realmente se sentir confiante? Como amar numa sociedade que saúda a intolerância e condena a tolerância? Como amar numa sociedade que aprova a falta de respeito com aqueles que são tolerantes porque ninguém mandou não serem firmes na ignorância?


Como amar, ensinar e educar numa sociedade inflexível que só finge o tempo todo que tá tudo certo e que te obriga a entrar nesse joguinho bobo? Como se sentir livre para amar se as pessoas pensam que você está fazendo parte desse jogo e que só está indo contra eles por birra? Como se sentir livre para amar se as pessoas pensam que você está querendo enganá-las e fazê-las de trouxa só por ter uma opinião diferente? Como se sentir livre para amar se as pessoas te cercam, te pressionam até você falar o que elas querem? Como se sentir livre para amar se as pessoas pensam que você mente para elas (como se fossem especiais o bastante para que você precise de alguma aprovação delas inventando uma desculpa)? Como ser flexível num mundo inflexível que se apega a “essência” da ignorância e teima que não pode haver outras formas de viver? De que me adianta formar minha própria personalidade, meu próprio caráter, mudar de opinião, crescer... Se vão me chamar de muitos nomes, menos de Érica? Pra que ser uma Érica se posso ser mais uma hipócrita que todo mundo aceita, entende? Para que tentar ser flexível se tem uma "essência" a zelar?

sábado, 18 de maio de 2013

Sobre a Marcha das Vadias

O nome Marcha das Vadias foi adotado após um policial canadense dar a seguinte declaração sobre como se prevenir de um estupro: “as mulheres deveriam evitar se vestir como vadias para não seres vítimas de ataques” o que, sem precisar ser um gênio para saber, dissemina a violência contra a mulher. A culpa acaba sendo tirada do estuprador e colocada na vítima, pois “ela provocou” dando razão para o estuprador ter feito o que fez devido à circunstância.

Todos sabem que ele falou uma grande besteira, não é? Não. Pois mesmo depois de muitas mulheres se indignarem com essa declaração numa roda de amigos, há quem dissesse: “ué, mas a mulher não usa roupa curta para chamar a atenção de homem?”

É uma simples pergunta, mas nos irrita!!! A lógica é a seguinte: Se está questionando é porque não entendeu o problema. Se não entendeu o problema é porque não viu nada de errado. Se não viu nada de errado, é porque tá certo!!!

Quer dizer, a mulher pode sim usar uma roupa para chamar a atenção de um homem (viu bem o artigo indefinido? UM homem, e não DOS homens, ou seja, um determinado homem que ela vai escolher, e se ela disser não para VOCÊ é porque ela não sentiu atração nenhuma por você, lide com isso) assim como um homem se arruma para chamar a atenção de uma mulher. Isso quer dizer que ele vai querer fazer sexo com QUALQUER MULHER e que se mulher meter a mão nas calças dele, ele tem que deixar porque ele provocou?

O fato de saber que uma mulher se veste de forma a chamar a atenção de um homem, faz jogos sensuais e flerta, não implica em nada no fato de não se indignar com um uma violência de estupro. No momento em que não há indignação perante um caso desses estamos com sérios problemas. É como dizer que o homem não tem controle nenhum sobre seus desejos afinal, coitadinho, ele não consegue resistir e a mulher tem que saber lidar com ele na sociedade porque eles só estão seguindo seus instintos. Bem, minhas desculpas à quem usa o argumento de que isso é puro instinto do homem, mas não me parece ser instintivo do ser humano pegar outro ser humano a força e causar-lhe trauma, medo e sofrimento... Se fosse por puro instinto, o homem deveria ter o instinto da proteção e ao ver alguém se retorcendo, com medo ou chorando, tentar socorrer, acalmar e protegê-lo e não agravar o estado violentando-o.

A libido não justifica a violência. Por mais que o cara esteja cheio de tesão pela mulher, se ela disser que não quer fazer sexo com ele, ele vai ter que se aliviar ali no banheiro como fazia na adolescência por anos (e nunca morreu por isso) ou procurar uma mulher com quem role a química. Simples.
Imaginem: a mulher que trabalha, paga suas contas em dia, é honesta, sai para se divertir e ter uma noite de prazer e volta para a casa violada (isso quando volta) com a vagina dolorida, com alguns hematomas e sangramentos. Será mesmo que era isso que ela “tava querendo” ou ela só tava querendo gozar e ir embora?

Agora imaginem: um homem que trabalha, paga suas contas em dia, é honesto, sai para se divertir e ter uma noite de prazer... E tem! Goza e vai embora, sem nenhum hematoma, sem cu sangrando porque ninguém o estuprou pelo fato de estar arrumado, perfumado, penteado...

Então é óbvio que as mulheres ficam indignadas com alguém que não se indignou com um estupro ocasionado pela “roupa de vadia”, porque poderia ter sido com elas!

E o que significa o termo vadia? É um termo pejorativo para quem não é tão reprimida sexualmente. E só! Porque não tem como definir uma vadia. É um termo muito inconsistente. Dizem que é a roupa, mas há que use decotes e “é decente”, daí então dizem que é o comportamento e não as roupas, embora as roupas possam ajudar... Ajudar em quê? Em ser vadia? Mas não era um comportamento? São uns argumentos muito furados que se contradizem e não fecham.

E qual seria o comportamento de uma vadia? Ter vida sexual ativa e ser solteira? E por que ela deveria ser desvalorizada e se sentir menos que outras que optaram por uma relação estável? Não faz sentido!

Novamente aí está escancarada a mentalidade de adolescentes colegiais que ficam julgando e achando que o fulano que se veste de preto é drogado, que beltrano que é introvertido é inteligente, que fulana que joga futebol é “machorra”... Mas mais pra frente, na adolescência ainda, aprendemos que não devemos julgar as pessoas pelas aparências porque aquela colega “periguete” vai estar sempre lá quando você precisar, porque você teve que fazer o trabalho com o colega tatuado e descobriu que ele não é nenhum marginal e é bem resolvido, porque conheceu a família da professora rígida que não é nenhuma mal amada, tem marido e até filhos!!!

Mas aí depois parece que as pessoas esquecem a lição e que os amigos delas são só exceções porque, ora bolas, são amigos DELAS! Dã-ã? E quem tá com elas é certo e quem não tá, é bichinha, vadia, cafajeste, hipócrita, ladrão...

Adjetivos que honestamente não querem dizer nada! Por isso o nome da Marcha! É um simples tabu!
No momento em que se reclama da violência contra a mulher, mas acha que não deveria usar o termo “vadia” porque isso faria com que a reclamação perdesse a credibilidade, acaba-se tendo os mesmos pensamentos de quem acha que “vadia” não pode reclamar porque não tem credibilidade! Ou seja, está afirmando que existem mulheres vadias e que não se está lutando por elas, apenas pelas moças “decentes”. E não! Está-se lutando por todas as mulheres e principalmente pelas que são tachadas de vadias por serem livres. Então se for assim, todas nós somos vadias, inclusive as “decentes” que “se fazem de difícil, essas são as piores”.

Não que quem vá a Marcha deva andar de saia curta, fazer topless ou vestir roupas que não são de agrado pessoal. Pode-se ir com calça, blusa e canguru cobrindo a cabeça com um capuz. Porque essa é a ideia: todas sofremos com o rótulo de “vadia” alguma vez na vida, não só quem “se veste como vadia” e somos livres para vestirmos o que quisermos e ninguém tem nada a ver com isso. Pena que a mídia não dará espaço à essas pessoas, porque vão focar só na bunda e no peito porque vende, e vende porque a sociedade é machista. E o motivo real da Marcha eles não divulgam, né? Claro, não querem acabar com suas propagandas televisivas e programas de auditório com temas “polêmicos” sobre dicas para mulheres “prenderem seu macho” ou sobre a culpa da mulher traída por ter se descuidado e o que ela deve evitar para que isso aconteça de novo ou de como elas seres sublimes e frágeis e homens burros e brutos... É, as mídias ganham muito em cima desses mitos de universo feminino e universo masculino, quando os dois deveriam viver em harmonia num só universo. E mesmo dentro do próprio universo há divisões de mulheres decentes e mulheres desonradas.

Não existe essa de mulheres decentes e mulheres desonradas. As decentes, uma hora ou outra, vão ser chamadas de “vadias”, nem que seja por outras mulheres. Estamos todas no mesmo barco! Sempre seremos uma vadia para alguém.

Fazer sexo com mais de mil não é um problema, a violência e o controle sobre o corpo de um indivíduo e de como ele deveria pensar, agir, a que horas deveria sair, a que horas deveria voltar, com quem deveria andar, enquanto que nada disso é cobrado dos violentadores... Isso sim é um problema.

P.S.: Já ouvi do meu pai, quando eu tinha uns 12 ou 13 anos, que eu deveria evitar tomar banho quando o pedreiro estivesse em casa trabalhando, pois ele poderia pensar que eu estava “provocando”... E aí, eu que não tinha nada a ver com isso, fica lá, fedida, até o final do dia. Ótima solução, não é? A pessoa não poder ser livre nem para tomar um simples banho porque pode ser que tenha um louco do lado de fora... Entendo que ele disse isso nas melhores intenções, para me proteger... Mas não consigo deixar de pensar: Se eu tivesse sido estuprada depois de tomar banho, será que ele me culparia e eu seria só mais uma vadia nas estatísticas da violência contra a mulher?

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Bullying Não é Coisa da Idade

Notei que grande parte das pessoas que dizem que bullying é frescura é, justamente, a parte que teve que enfrentar isso sozinha porque os próprios pais/mães diziam que “era coisa da idade”. Realmente, é coisa da idade se sentir inseguro, mas se sentir inseguro é uma coisa, não ter segurança é outra.

Quem deixa o filho/filha sozinho num momento em que se sabe que ele está mais inseguro que nunca? É como dizer “lute suas próprias batalhas” para alguém sem preparo nenhum que na primeira tentativa e acerto, tomará aquela decisão como a correta porque funcionou, seja ela bater ou correr.

Uma criança insegura vai procurar por segurança (pais, professores, irmãos e amigos mais velhos), mas se ela não encontra essa segurança, o que ela vai fazer? Uma pessoa que não tem segurança o suficiente para enfrentar um problema faz o quê? Se omite, se esconde, foge, dá desculpas e assim vai sobrevivendo. Mas nenhum pai/mãe quer que seu filho/filha seja chamado de fraco, não é? Por isso eles estufam o peito e dizem:

- Você não pode viver fugindo dos problemas, você tem que enfrentá-los.

Ok, bonita a atitude desses pais/mães! Mas de nada adianta esse discurso se, novamente, negar a segurança ao filho/filha. É como falar “sobe nessa bicicleta e se tu cair, vai apanhar de mim”. Não faz sentido!!! Cadê os pais que ficam atrás do filho/filha na bicicleta e falam “tu não vai cair, eu te seguro” e que fazem curativo no joelho depois para ele se recuperar mais rápido e poder tentar de novo? Dar atenção à criança não a tornará uma “fraca”. No mínimo a tornará amparada.

E não é frescura que falta de atenção deixa as pessoas mal e a prova disso é que nós nos maravilhamos quando vemos pais e filhos conversando como se estivessem conversando com seus melhores amigos, sem receios de “para pai/mãe isso não se conta”. Geralmente nos surpreendemos quando vê uma cena assim e automaticamente imaginamos se fosse conosco. Por que nos surpreendemos? Porque o comum é ter conversas formais com os pais, é não ter intimidade, é dizer “senhor” e “senhora”. E por que será disso? O que deve ter acontecido para que não tenhamos tanta intimidade com nossos pais?

E se essas pessoas que acham que “é coisas da idade” acham isso mesmo, porque carregam com elas o sentimento de uma coisa que era para ter ficado no passado? Não era para já ter superado, já que era algo exclusivo da idade? Ou será que isso era só uma desculpa para pais preguiçosos não terem que se incomodar com os problemas dos filhos indo à escola, conversando com o diretor, professor, pais dos alunos?

Lembro de uma passagem em Harry Potter e A Ordem da Fênix onde Harry, assistindo as memórias do Professor Snape na Penseira, viu o seu padrinho (Sirius) e o seu pai (James) atacarem Snape na época em que eram alunos de Hogwarts. Harry ficou irado e Sirius tentou justificar essas ações dizendo que ele e James eram muito imaturos, pois tinham apenas 15 anos na época, ao que Harry replicou: “Eu tenho quinze anos!”

É, isso aí, Harry. Não caia nessa de “é coisa da idade” também. Isso não tem nada a ver com a idade e sim com a educação.

Bullying não é brincadeira. Se fosse, todos estavam rindo. No momento que alguém vê o outro chorar e continua implicando sem se surpreender com o choro, é porque tem algo muito errado aí. Uma criança que ouve xingamentos carinhosos dos pais (minha toupeirinha, minha bolinha, meu palitinho, meu macaquinho, minha feiosinha) geralmente levam os insultos e as implicâncias na esportiva. Mas até elas sabem quando parar, que é quando os pais falam “não, assim magoa”, “assim machuca”... E honestamente, essa é uma “diversão” dispensável para se ensinar às crianças, não é mesmo? Ensinar a ofender fazendo comparações não vai formar caráter.

Falando nisso, é engraçado que falam em formar caráter, mas nunca vi uma criança filosofando algo como “fulano disse aquilo porque é um hipócrita” ou “coitado, tenta fazer graça porque não tem atenção em casa”. Não, nunca vi uma criança formando caráter por xingar outra. A não ser que formar caráter implique em revidar mesmo que irracionalmente. Mas alguém que revida com palavras irracionais não tem caráter nenhum, só segue a correnteza.

A única coisa que formou é uma pessoa que se receber uma crítica séria, vai dizer que foi criticada por inveja ou porque quem criticou não faz sexo... Enfim, essas irracionalidades que aprenderam para “formar caráter”.

Aí fica nessa: se te criticarem, é só criticar de volta e não deixar nada te abalar. No final das contas, os pais criam aquilo que eles mesmos eram contra: uma pessoa que vive numa bolha.
Sei que alguns devem ter se achado beneficiados com o bullying que sofreu, pois sofreu e se tornou forte, mas daí eu pergunto: Quer que a criança se conforme e se adapte a idiotice alheia perpetuando isso com o discurso de que “é assim mesmo” ou quer fazer as coisas diferentes do que foi na tua época? Por que para crescer tem que sofrer? Isso é desculpa de quem não tem saco pra ir contra a corrente. Como você quer fazer um mundo melhor em que o ódio, o preconceito e a violência sejam raros, se diz para o seu filho que sofrimento é normal? “Ah, sofre aí um pouco que tô ocupado de mais pra ir lá lutar por um futuro sem sofrimento”. Um sofrimento que venha naturalmente, como morte, separações, decepções vai acontecer naturalmente. Não precisa de um bando de babaca colocando os outros pra baixo pra isso.

Aí tem crianças que falam que sofrem com isso e os pais falam “um dia passa”, daqui a uma semana realmente passou o sofrimento porque a criança se matou. Aí se ela se matou, ela era afetada das ideias e não as crianças que aprenderam com os próprios pais que é legal discriminar os colegas. Tipo, não tem alguma coisa errada aí??

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Verso da Capa de CD


Era uma vez um lugarzinho no meio do nada
Tudo estava no seu lugar
Até que você chegou em minha vida
Você fechava com os meus sonhos como ninguém
Esse amor era bom de mais
O que você fez?
Nós éramos um só
Você errou, isso não é pecado
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Você extrapolou, você passou da conta
E agora tenho um coração com buraquinhos
Se eu pudesse escolher entre o bem e o mal
Escolheria voltar no tempo em que você
Enroscava em meu pescoço, dava um beijo no meu queixo
E era um tanto másculo
Você era a música em mim
Entre razões e emoções a saída
É dizer que valeu a pena
Pescador de ilusões
Fiquei louca
E estou morrendo, a culpa é sua