segunda-feira, 11 de março de 2013

Amada Atsuj


Amada Atsuj era uma moça que estava prestes a ingressar na faculdade, mas ainda tinha muitas Barbies na prateleira do seu quarto. Porém apenas duas eram especiais: A Tinna e A Nelly, por se parecerem, incrivelmente, com Annita e Yllena, suas melhores amigas.
Amada era muito carente e sempre que viajava, levava a Tinna e a Nelly, então ninguém se surpreendeu quando ela decidiu que levaria as bonecas para a faculdade também. E lá foi ela...
Quando chegou, ficou sabendo que não dividiria o quarto com ninguém e ficou feliz por isso porque, geralmente, a achavam esquisita por precisar da presença das Barbies.
O tempo foi passando e tudo estava indo bem... Até o dia em que alguns colegas de Amada decidiram organizar uma festa. E toda turma foi convidada.
Amada foi meio a contragosto. Ela não gostava muito de festas. Mas começou a ficar envergonhada de tanto recusar os convites.
Por não ter intimidade com ninguém, decidiu ficar perto das bebidas... E beber. Um colega que Amada nunca tinha visto sentou ao seu lado e iniciou uma conversa. Foram conversando por alguns longos minutos e devia ser muito tarde porque Amada começou a ficar com sono... Muito sono...
Amada acordou em seu quarto e nem se lembrava de como tinha chegado ali. De repente começou a ouvir vozes escandalosas nos corredores e algumas batidas na porta. Ao abrir a porta do quarto ela ficou desorientada. Havia um monte de fotos suas onde ela aparecia completamente nua! E com um cara!
Ela olhou ao redor e viu poucos rostos com dó ou igualmente horrorizados. Mas a maioria mesmo sussurrava uns para os outros comentários maldosos, uns até diziam que era vingança de algum ex que ela traiu e que agora tinha que arcar com as consequências... Ela começou a gritar que não tinha ex nenhum que foi traído e que provavelmente era o colega deles com quem ela tinha conversado noite passada, mas ninguém nunca tinha visto esse “colega” na turma. Começaram a culpá-la então por ter bebido e provocado a situação.
Não havia mais clima para ela. Voltou para o quarto horrorizada e viu as bonecas... Decidiu voltar para a casa até a questão se resolver.
A questão nunca se resolveu porque até a polícia achava que não passava de uma vingança boba e que ela deveria ter sido mais cuidadosa.
Chegando em casa, ligou para as amigas e decidiu contar o que houve. Mas qual não foi a surpresa ao ouvir da boca de suas próprias amigas que ela provavelmente tinha ido se deitar com o cara e, por falta de experiência, não soube lidar com a situação depois? E, pior: que ela podia contar a VERDADE para elas que elas não a julgariam!
Amada expulsou Annita e Yllena de casa e quando voltou ao quarto e viu as bonecas, arrancou-lhes a cabeça e jogou-as no chão e começou a quebrar as bonecas... Então ela lembrou de uma magia que tinha ouvido falar que se faz com bonecos. E foi pesquisar sobre o assunto.
Acabou conhecendo a magia e resolveu que iria praticá-la com má intenção nas pessoas com quem ela não pôde contar. Mas para praticar a magia era necessário bonecos parecidos com as vítimas.
Com o passar dos anos, motivada pelo ódio, Amada Atsuj abriu uma empresa e começou a fabricar bonecos do jeito que ela queria. Então, quando já tinha todos os bonecos necessários, enfeitiçou-os para que eles e as vítimas estivessem conectados.
Muitos colegas da época da faculdade começaram a adoecer, assim como alguns professores e policiais... E Annita e Yllena. Lenta e dolorosamente, começaram a morrer um por um.
Por fim, Amada queimou os bonecos. Mas a sua motivação não acabou. Ela decidiu que mais gente deveria ter acesso ao conhecimento da magia. E sem se importar com mais nada, decidiu espalhá-lo, mas só para aqueles que comprassem A Dama Justa. De todos os bonecos da empresa “Magia de Amada”, apenas A Dama Justa vinha com o folheto explicativo alterado. Mas era preciso ser realmente como Amada para entender o que dizia o folheto: Se você o lesse, cada palavra, de trás pra frente, entenderia o feitiço.

sexta-feira, 1 de março de 2013

The Slave of the Magic Mirror

- Espelho, espelho meu, quem é mais bela do que eu?

- Tu és a mais bela! Óbvio, nunca saí do palácio, logo, só conheço Vossa Majestade... Ah, espere, ontem uma menina veio me polir. Ela era bela.

- Uma criada? Revele seu nome!

- Eu não sei o nome de vossos criados, Majestade. Tu nunca falas deles.

- Então como era a tal menina?

- Suave, gentil, alegre...

- Não sei de quem se trata. Para mim todos são miseráveis e rudes.

- Era uma menina que tinha lábios muito vermelhos, o cabelo era negro como ébano e a pele branca, branca mesmo, como a neve.

- Branca de Neve!!!

- Não, Majestade, eu disse branca COMO a neve e não branca DE neve. Como alguém poderia ser branca DE neve? Só se ela for um boneco de neve, hehe...

- Silêncio, espelho! Se trata da minha enteada! O nome dela é Branca de Neve!

- Mesmo? Que criativo... Realmente ela era bem branca mesmo, pensei até que estivesse pálida ou que fosse um fantasma, quase morri de medo quando a vi... Até notar que era gentil e...

- Cale a boca, espelho! Agora responda-me: Qual de nós é a mais bela?

- Sem sombra de dúvidas, ela é mais bela.

- Bobagem! Todos sabem que as loiras são as mais belas.

- Não me refiro a beleza física, Majestade. Isso muda com o tempo, os padrões de beleza... Um dia o que está na moda é o cabelo encaracolado, no outro é o liso. Uma hora a moda é o corte em camadas, no outro é o chanel com franjinha, não tem como ser a mais bela porque é algo muito subjetivo. A ideia que fazemos hoje de Afrodite, a Deusa da Beleza, provavelmente não é mesma que os gregos antigos faziam. Ou seja, até a beleza da Deusa da Beleza ficou cafona com o tempo. Irônico, não?

- Mas tu disseste que Branca de Neve era a mais bela!

- Sim. Me referia a beleza do seu interior, do seu coração...

- Então eu preciso ter o coração dela dentro de mim...

- É... Bem... É mais ou menos essa a ideia, Majestade.

- Então vou mandar matá-la e comer seu coração!

- Bem, é... Espera... QUÊ? Não! Não é coração literal! Ela é mais bela por ser mais pura. Afinal é apenas uma criança.

- Então crianças possuem maior beleza... Entendi. Então se eu comer criancinhas ficarei mais bela?

- Não, Majestade! Pelo amor de deus! Para uma criança perder a sua beleza ela tem que estar envenenada, entende? Pelo ódio, pela malícia...

- Envenenada!

- Digo, não dar carinho...

- Sei, sei, não dar coisas de luxo...

- Não, me refiro a não ser tratada como um semelhante.

- Mas isso eu já faço! Não a trato como se fosse da realeza, a trato como criada.

- Sim, mas Vossa Majestade a ignora, a deixa em paz. Não necessariamente a maltrata.

- Então ela precisa de mais trabalho. Vou dar tarefas até suas roupas virarem trapo! Ela não perde por esperar!

- Majestade, me ouça, por favor, não foi o que eu quis dizer... Trabalho não maltrata ninguém e... Não, espere, Majestade! Para alguém se tornar feio é preciso que se destrua sua autoestima... Isso é que é ser maltratado... Majestade? Ah, ela nem me ouviu... Desde que perdeu a autoestima é isso, todos os dias é essa necessidade de ser a mais bela. Era mais bela quando não ligava para esse tipo de coisa. Me pergunto se sou escravo da Rainha ou se é ela que é escrava do espelho... O espelho serve para refletir, fazer ver seus próprios erros para então aperfeiçoá-los. Não para escondê-los e ficar se admirando como se fosse a pessoa mais bela do mundo. Desse jeito ela só se torna mais feia a cada dia que passa.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Saúde Espiritual

Para a saúde do corpo, três coisas são fundamentais: lavar as mãos, exercícios e alimentos variados em pequenas quantidades.

Mas e para a saúde da alma? Bem, o corpo nada mais é do que o reflexo da nossa alma. Então as regras são as mesmas: Higiene, alimentação correta e exercícios.

Exercite o amor todos os dias e mais ainda quando as coisas estiverem difíceis. Pois nenhum músculo se fortalece com o mesmo peso de sempre. Amar na tranquilidade é só para iniciantes.

Alimente sua alma com pequenas quantidades variadas. Isso inclui aquele brócolis fedorento que você finge que não vê servido na mesa. Não se alimente sempre do mesmo prato só porque ele é fácil de preparar e tem cheiro agradável. Um ego massageado é agradável, mas a longo prazo fica frágil, fraco e qualquer coisinha o fere. Não se alimente apenas de uma fonte, ela pode estar contaminada. Varie seu cardápio, abra sua mente para novas ideias, novas experiencias e outros pontos de vista inclusive os que você não simpatiza.

Lave as mãos da sua alma, antes e depois de qualquer feito. Não leve adiante suas mágoas, ressentimentos e culpas.  Não contamine as próximas boas ações com as anteriores. Cada experiência é única. Por isso, lave suas mãos antes de tocar um coração.

O amor exige nosso melhor, trabalha os músculos da alma, é um estilo de vida bem Puxado que traz felicidade e satisfação no fim do dia.

Aos vagabundos, só resta à fAcilidade e mediocridade do ódio e desdém.
Se algo estiver fácil de odiar e menosprezar, repense. O ódio deveria ser algo eventual, não uma rotina.

É compreensível que a reflexão cause incômodo, pois é no nosso reflexo que vemos nossas imperfeições, tanto corporais quanto espirituais. E assim como queremos disfarçar as imperfeiçoes do corpo, queremos disfarçar as da alma ao invés de trabalharmos pesado nisso.

Logo, é preferível se exercitar no Amor com pequenas doses de desafios, à forçar as pernas para fugir de suas responsabilidades.

A vitória é para os mais bem preparados de corpo e de alma.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Fazendo Meu Filme


Muitos decepcionados dizem que a vida não é como nos filmes, pois ali tudo foi ensaiado e revisado mais de mil vezes, e tudo está no roteiro. Na vida temos que improvisar! Na vida não controlamos a fala do outro e se errarmos não há um “corta!”
Mas isso é para quem acha que o filme começa ali e termina ali. Equipamentos em falta, tempo ruim, ator doente... E o roteiro terá que ser adaptado.
O erro das pessoas é não perceber que filmes podem imitar a realidade, assim como podem mudá-la.
Filmes podem te honrar, assim como podem te ofender.
Filmes podem te motivar, assim como podem te deixar triste.
Filmes podem ser documentários, assim como pode ser uma ficção.
Filmes podem ser feitos por pessoas como você, assim como pode ser feito por pessoas diferentes de você.
Porque filmes são ideias! E nas ideias sempre pensamos que o melhor há de vir. Ou que o pior há de vir. Esperamos uma coisa e recebemos outra. Assim como na vida.
Ensaiamos dia após dia e no dia da “concretização”... Um imprevisto!
Mas algum dia fará sol e é bom que tenhamos ensaiado direitinho. Ou você acha que aquela cena perfeita do pôr do sol, foi feita de primeira, sem erros ou gritos do diretor dizendo “apressem-se”? Sua vida é um filme sim... Só não foi bem ensaiado para ter um “final feliz” AINDA. :)

Começo, Meio e Fim


Cerca de 40 pessoas.
“Há muitos começos, mas apenas um fim.”
10 concordaram. Outras discordaram de cara. Outras acharam que não era bem isso.
“Há apenas um começo, mas muitos fins.”
10 concordaram. Outras discordaram de cara. Outras acharam que não era bem isso.
“Há apenas um começo e um fim.”
10 concordaram. Outras discordaram de cara. Outras acharam que não era bem isso.
“Há muitos começos e muitos fins.”
10 concordaram. Outras discordaram de cara. Outras acharam que não era bem isso. Mas pelo menos as 40 estavam com a mesma motivação: Fazer algo no meio da história.



(Muito embora alguns leitores concordem com essa motivação, outros discordem de cara, e outros achem que não é bem isso...)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Discurso da Compensação

Uma regra que a sociedade impõe é: não levar problemas da vida pessoal para a vida profissional; não misture as coisas.
É... Mas levar problemas do trabalho para a casa todo mundo pode, né? Claro. Nenhuma empresa quer que seus negócios acabem indo mal porque seus funcionários estão mal. Mas todos concordam que quando sua vida pessoal está as mil maravilhas, isso reflete no trabalho. Aí a regra não vale, né?
Não deveríamos tirar o ânimo e deixá-lo pendurado no vestuário até a hora da saída como fazemos com o desânimo? Seria um tratamento desumano! E eu fico feliz ao ver que algumas empresas estão mudando esse conceito, que estão dispostos a conversar sobre adaptações com seus empregados, que tenham notado que você só pode ter amor a sua profissão se levar ela para o lado pessoal. Não que muitos façam isso com boas intenções, mas já foi testado o método “não misture sua vida pessoal com sua vida profissional” e os resultados não foram satisfatórios. A vida é assim: falhar e modificar. Inclusive indico o livro Ócio Criativo.
Profissão é uma escolha e escolhemos a partir do pessoal, a partir das nossas descobertas pessoais, dos nossos “dons”... Profissão não deveria ser uma obrigação. Bom, com certeza é algo que exige responsabilidade, mas a responsabilidade tem que ser trabalhada no pessoal. O que mais tem aí é gente que não ama as regras, apenas as obedecem. Mas por quê não as amam? Porque não veem sentido!
Vai parecer que estou fugindo do foco, mas compreendam que estou apenas entrando nele: Não amamos de verdade.
A resposta para esse pensamento está no que ouvimos na infância e armazenamos no cérebro como sobreaviso, consulta (como as lições hipnopédicas no livro Admirável Mundo Novo). O que ouvimos é fruto da falta de tempo para educar corretamente uma criança: o discurso de compensação. É mais rápido comprar uma criança dizendo “faça isso que é sua obrigação e depois você pode brincar” ou “come toda a comida que depois você ganha chocolate” do que sentar ao lado da criança e explicar, calmamente, os motivos pelos quais ela deve fazer tais coisas e ficar ali o tempo que for preciso.
Querendo reações imediatas, pecamos em não dar explicações. As pessoas podem até se acostumar ao “só sei que fiz e deu certo”, mas no fundo elas questionam o por que das coisas... E as fazem por pura obrigação, sem pensar em consequências e motivos.
Quem quer ter um filho tem que ter tempo para eles. Eu entendo quando o caso é de descuido e a criança não foi planejada: os pais correm para pagar as contas. Mas para um casal que planejou, não parece um plano muito bom, né? Ter um bebê e depois jogar na cara dele que você “se matou trabalhando” para dar as coisas para ele, como se ele tivesse pedido para vir ao mundo. E qual era o plano? Ter mais uma boca para alimentar, não ter tempo para ela e dizer que “a vida é assim mesmo” só para “encher a casa”? O pior é que não parece errado e, perante alguns olhos, nunca pareça porque foi algo que foi testado e deu certo para alguns. Então se der errado para outros o problema é dos outros. O que esperar de uma sociedade que aprendeu que “democracia” significa “maioria”, né?
“Ah, mas você fala isso porque não tem filhos” não é um argumento válido. Aliás, posso não ser mãe, mas sou filha e só repete a educação que recebeu, quem não tem cabeça para fazer uma nova. Tanto que conheço “pais assim” e “pais assado”.
“A paternidade, ao contrário do que julga o senso comum, não é uma habilidade que aflora naturalmente quando o homem tem sua cria, mas sim um ofício para o qual já se deve ter uma predisposição, uma certa dose de talento e muita paciência.” – (João, Maria e os Outros)
É claro que podemos aprender na prática, mas não é como na escola; se você errar, não terá outra chance. Você pode errar, apagar e corrigir o erro sim... Mas ficará para sempre a marca do lápis por trás da correção. Ou como diz aquela história “não basta tirar os pregos da tábua: ela nunca mais será a tábua lisa de antes”.
E por isso que as boas intenções não importam. O discurso de compensação não importa. Devemos amar a intenção e esquecer o real problema? Devemos nos drogar com a ilusão da boa intenção do que realmente viver o amor? A coisa boa não anula a ruim. O que acontece de fato é que um lado fica sobrecarregado e o outro vazio, além de criar pessoas visando no lucro, desencadeando a filosofia do “pagando bem que mal tem”? Alô? Uma coisa não compensa a outra! Não dá para alimentar a alma com feijão, assim como não dá para alimentar o estômago com carinho. Mas ai de nós se reclamarmos do nosso direito de viver e sobreviver! “Escolha um e contente-se!” É o que a cultura da compensação nos impõe: a não reclamar de algo porque temos outro. “Sua ingrata!”
Querer o que é seu por direito não é ser ambicioso. “Você não tem direito a nada! Tudo o que vier é lucro!” E isso dito por pessoas que QUISERAM te trazer ao mundo.
Por isso fica difícil as pessoas amarem ou, até mesmo, odiarem umas as outras. Nada é intenso. Não sabemos o que sentimos pelas pessoas que nos cercam porque não as conhecemos. Mas como elas nos dão presentes em datas “especiais” ficamos com a impressão de que elas se importam conosco. Mas elas não se importam. Elas se importam com elas mesmas. Como é tradicional, elas se sentem mal em não dar um presente... Pesa na consciência delas! Então elas dão. Tanto é verdade que muitos nem pensam de verdade na pessoa: dão um “vale-presente” e pronto, sua missão social foi cumprida. Como diria Mario Cortella: “vale-presente é o ápice do anonimato”.
Uma pessoa que é amada todos os dias do ano não vai dar falta de presentes. Mas uma pessoa que não se sente amada fica ofendida se não os recebe porque é a confirmação de que ela não ocupou o pensamento de alguém nem por alguns minutos. E a pessoa que não se sente amada e recebe presentes, pelo menos vive na dúvida “Você pode não me dar uma migalha de atenção durante o ano inteiro, mas se me trouxe bombons isso deve significar alguma coisa”. Desses três grupos, particularmente, prefiro o primeiro.
Continuando: não amamos de verdade, porque não conhecemos a verdade. As pessoas querem um amor incondicional, mas vivem impondo condições... E se questionamos? “Sou livre e desimpedido para fazer o que quiser e você não tem nada a ver com isso”. Livre e desimpedido para mentir? E não temos nada a ver com isso? Desculpem-me, mas quem mente é porque está dependendo sim da aprovação de alguém!
Aprendemos a amar de mentirinha, o lado bom... Aprendemos a amar o chocolate depois do almoço e não a refeição; aprendemos a amar o lazer depois da tarefa e não a tarefa; aprendemos a fazer as coisas por obrigação, a contragosto... Ao invés de amar suas regras, se doar conscientemente, gostar de ser parte responsável.
Outro efeito causado pelo discurso de compensação: Achamos que merecemos as coisas se nos esforçamos. Não merecemos nada! A vida é uma ação e reação que muitas vezes, sem querer ser conformista, não depende de nós. Não basta criar vergonha na cara, tomar coragem e ir falar com a pessoa amada esperando que depois de meses de carinho ela vá aceitar sua declaração de amor. “Não é você. Sou eu!” E realmente não é culpa nossa!
Muita gente não gosta de ver essa realidade, e já sai falando algo do tipo “ah, não deve ter se esforçado de verdade” metendo o pé na vida dos outros dizendo que sabe o que eles fizeram ou deixaram de fazer. Ou ainda “ah, deve estar desiludida com a vida”. Sim. Comigo, pelo menos é essa a palavra: desiludida. Se eu estou desiludida é porque outra está iludida, não é? E estar iludida é bom? Viver de ilusão, é bom? Sério mesmo?
Não se pode simplesmente estar certo em meio a ignorantes. Às vezes nem a gente sabe explicar o por que é certo e daí se não sabemos explicar para os ignorantes eles tem todo o direito de desconfiar e não acreditar. Se soubéssemos tocar num ponto crucial da vida da pessoa, iríamos nos fazer entender. Às vezes o discurso é bom, mas é direcionado ao público errado. Às vezes isso me acalma e me tira a culpa... Às vezes me irrita por eu não ter conseguido atingir o público-alvo.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Bola de Cristal

- Você pode ver o meu futuro? - perguntou a moça.
- De certa forma. - respondeu a senhora.
- Que forma seria esta?
- Bola de Cristal. Você quer?
- Sim.
- Relaxe, fique de frente para a bola e reflita. E me diga o que vê.
- Eu que digo?
- Sim. O futuro é seu. Só posso te dar instrumentos.
- Mas isso não faz sentido.
- Não faz sentido você ter o controle da sua vida? Como então faria sentido eu tê-lo? Mas não desista. Me diga o que vê.
- Eu vejo eu, olhando para um bola, numa tenda de uma senhora que diz ser vidente.
- Hmmm... Mostra que você está incerta sobre o seu futuro.
- Mas é claro que estou! Se não, não estaria aqui!
- Exatamente. Enquanto estiver incerta seu futuro será sempre esse aqui.
- Mas eu não quero isso. E como faço para ter certeza?
- Você acabou de ter uma.
- Mas como eu mudo isso?
- Tem certeza que é essa pergunta que você quer fazer? “Como eu mudo?” Será que você não quer dizer “que resposta você poderia me dar para mudar isso em mim?”
- Só posso reagir se houver uma ação!
- Você quer reagir a uma coisa que não sabe o que... Não parou para pensar em ser a ação e não a reação? Ou você quer ser a reação para poder ter uma desculpa?
- Você não está vendo o meu futuro.
- Você estava até segundos atrás.
- Você é uma charlatã. Isso não faz sentido.
- Que pena... estava indo tão bem.
- Eu não acho. Não vi moral nisso tudo. Adeus. - disse a moça saindo depressa.
- A moral - começou a dizer a senhora com a esperança de que a moça ainda escutasse - é que as pessoas simplesmente não querem refletir sobre.
A moça ouviu a resposta. Mas nada mudou, pois ela não queria refletir.
Se misturou as folhas secas sopradas pelo vento, ora fraco, ora violento e desapareceu.