sábado, 18 de maio de 2013

Sobre a Marcha das Vadias

O nome Marcha das Vadias foi adotado após um policial canadense dar a seguinte declaração sobre como se prevenir de um estupro: “as mulheres deveriam evitar se vestir como vadias para não seres vítimas de ataques” o que, sem precisar ser um gênio para saber, dissemina a violência contra a mulher. A culpa acaba sendo tirada do estuprador e colocada na vítima, pois “ela provocou” dando razão para o estuprador ter feito o que fez devido à circunstância.

Todos sabem que ele falou uma grande besteira, não é? Não. Pois mesmo depois de muitas mulheres se indignarem com essa declaração numa roda de amigos, há quem dissesse: “ué, mas a mulher não usa roupa curta para chamar a atenção de homem?”

É uma simples pergunta, mas nos irrita!!! A lógica é a seguinte: Se está questionando é porque não entendeu o problema. Se não entendeu o problema é porque não viu nada de errado. Se não viu nada de errado, é porque tá certo!!!

Quer dizer, a mulher pode sim usar uma roupa para chamar a atenção de um homem (viu bem o artigo indefinido? UM homem, e não DOS homens, ou seja, um determinado homem que ela vai escolher, e se ela disser não para VOCÊ é porque ela não sentiu atração nenhuma por você, lide com isso) assim como um homem se arruma para chamar a atenção de uma mulher. Isso quer dizer que ele vai querer fazer sexo com QUALQUER MULHER e que se mulher meter a mão nas calças dele, ele tem que deixar porque ele provocou?

O fato de saber que uma mulher se veste de forma a chamar a atenção de um homem, faz jogos sensuais e flerta, não implica em nada no fato de não se indignar com um uma violência de estupro. No momento em que não há indignação perante um caso desses estamos com sérios problemas. É como dizer que o homem não tem controle nenhum sobre seus desejos afinal, coitadinho, ele não consegue resistir e a mulher tem que saber lidar com ele na sociedade porque eles só estão seguindo seus instintos. Bem, minhas desculpas à quem usa o argumento de que isso é puro instinto do homem, mas não me parece ser instintivo do ser humano pegar outro ser humano a força e causar-lhe trauma, medo e sofrimento... Se fosse por puro instinto, o homem deveria ter o instinto da proteção e ao ver alguém se retorcendo, com medo ou chorando, tentar socorrer, acalmar e protegê-lo e não agravar o estado violentando-o.

A libido não justifica a violência. Por mais que o cara esteja cheio de tesão pela mulher, se ela disser que não quer fazer sexo com ele, ele vai ter que se aliviar ali no banheiro como fazia na adolescência por anos (e nunca morreu por isso) ou procurar uma mulher com quem role a química. Simples.
Imaginem: a mulher que trabalha, paga suas contas em dia, é honesta, sai para se divertir e ter uma noite de prazer e volta para a casa violada (isso quando volta) com a vagina dolorida, com alguns hematomas e sangramentos. Será mesmo que era isso que ela “tava querendo” ou ela só tava querendo gozar e ir embora?

Agora imaginem: um homem que trabalha, paga suas contas em dia, é honesto, sai para se divertir e ter uma noite de prazer... E tem! Goza e vai embora, sem nenhum hematoma, sem cu sangrando porque ninguém o estuprou pelo fato de estar arrumado, perfumado, penteado...

Então é óbvio que as mulheres ficam indignadas com alguém que não se indignou com um estupro ocasionado pela “roupa de vadia”, porque poderia ter sido com elas!

E o que significa o termo vadia? É um termo pejorativo para quem não é tão reprimida sexualmente. E só! Porque não tem como definir uma vadia. É um termo muito inconsistente. Dizem que é a roupa, mas há que use decotes e “é decente”, daí então dizem que é o comportamento e não as roupas, embora as roupas possam ajudar... Ajudar em quê? Em ser vadia? Mas não era um comportamento? São uns argumentos muito furados que se contradizem e não fecham.

E qual seria o comportamento de uma vadia? Ter vida sexual ativa e ser solteira? E por que ela deveria ser desvalorizada e se sentir menos que outras que optaram por uma relação estável? Não faz sentido!

Novamente aí está escancarada a mentalidade de adolescentes colegiais que ficam julgando e achando que o fulano que se veste de preto é drogado, que beltrano que é introvertido é inteligente, que fulana que joga futebol é “machorra”... Mas mais pra frente, na adolescência ainda, aprendemos que não devemos julgar as pessoas pelas aparências porque aquela colega “periguete” vai estar sempre lá quando você precisar, porque você teve que fazer o trabalho com o colega tatuado e descobriu que ele não é nenhum marginal e é bem resolvido, porque conheceu a família da professora rígida que não é nenhuma mal amada, tem marido e até filhos!!!

Mas aí depois parece que as pessoas esquecem a lição e que os amigos delas são só exceções porque, ora bolas, são amigos DELAS! Dã-ã? E quem tá com elas é certo e quem não tá, é bichinha, vadia, cafajeste, hipócrita, ladrão...

Adjetivos que honestamente não querem dizer nada! Por isso o nome da Marcha! É um simples tabu!
No momento em que se reclama da violência contra a mulher, mas acha que não deveria usar o termo “vadia” porque isso faria com que a reclamação perdesse a credibilidade, acaba-se tendo os mesmos pensamentos de quem acha que “vadia” não pode reclamar porque não tem credibilidade! Ou seja, está afirmando que existem mulheres vadias e que não se está lutando por elas, apenas pelas moças “decentes”. E não! Está-se lutando por todas as mulheres e principalmente pelas que são tachadas de vadias por serem livres. Então se for assim, todas nós somos vadias, inclusive as “decentes” que “se fazem de difícil, essas são as piores”.

Não que quem vá a Marcha deva andar de saia curta, fazer topless ou vestir roupas que não são de agrado pessoal. Pode-se ir com calça, blusa e canguru cobrindo a cabeça com um capuz. Porque essa é a ideia: todas sofremos com o rótulo de “vadia” alguma vez na vida, não só quem “se veste como vadia” e somos livres para vestirmos o que quisermos e ninguém tem nada a ver com isso. Pena que a mídia não dará espaço à essas pessoas, porque vão focar só na bunda e no peito porque vende, e vende porque a sociedade é machista. E o motivo real da Marcha eles não divulgam, né? Claro, não querem acabar com suas propagandas televisivas e programas de auditório com temas “polêmicos” sobre dicas para mulheres “prenderem seu macho” ou sobre a culpa da mulher traída por ter se descuidado e o que ela deve evitar para que isso aconteça de novo ou de como elas seres sublimes e frágeis e homens burros e brutos... É, as mídias ganham muito em cima desses mitos de universo feminino e universo masculino, quando os dois deveriam viver em harmonia num só universo. E mesmo dentro do próprio universo há divisões de mulheres decentes e mulheres desonradas.

Não existe essa de mulheres decentes e mulheres desonradas. As decentes, uma hora ou outra, vão ser chamadas de “vadias”, nem que seja por outras mulheres. Estamos todas no mesmo barco! Sempre seremos uma vadia para alguém.

Fazer sexo com mais de mil não é um problema, a violência e o controle sobre o corpo de um indivíduo e de como ele deveria pensar, agir, a que horas deveria sair, a que horas deveria voltar, com quem deveria andar, enquanto que nada disso é cobrado dos violentadores... Isso sim é um problema.

P.S.: Já ouvi do meu pai, quando eu tinha uns 12 ou 13 anos, que eu deveria evitar tomar banho quando o pedreiro estivesse em casa trabalhando, pois ele poderia pensar que eu estava “provocando”... E aí, eu que não tinha nada a ver com isso, fica lá, fedida, até o final do dia. Ótima solução, não é? A pessoa não poder ser livre nem para tomar um simples banho porque pode ser que tenha um louco do lado de fora... Entendo que ele disse isso nas melhores intenções, para me proteger... Mas não consigo deixar de pensar: Se eu tivesse sido estuprada depois de tomar banho, será que ele me culparia e eu seria só mais uma vadia nas estatísticas da violência contra a mulher?

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Bullying Não é Coisa da Idade

Notei que grande parte das pessoas que dizem que bullying é frescura é, justamente, a parte que teve que enfrentar isso sozinha porque os próprios pais/mães diziam que “era coisa da idade”. Realmente, é coisa da idade se sentir inseguro, mas se sentir inseguro é uma coisa, não ter segurança é outra.

Quem deixa o filho/filha sozinho num momento em que se sabe que ele está mais inseguro que nunca? É como dizer “lute suas próprias batalhas” para alguém sem preparo nenhum que na primeira tentativa e acerto, tomará aquela decisão como a correta porque funcionou, seja ela bater ou correr.

Uma criança insegura vai procurar por segurança (pais, professores, irmãos e amigos mais velhos), mas se ela não encontra essa segurança, o que ela vai fazer? Uma pessoa que não tem segurança o suficiente para enfrentar um problema faz o quê? Se omite, se esconde, foge, dá desculpas e assim vai sobrevivendo. Mas nenhum pai/mãe quer que seu filho/filha seja chamado de fraco, não é? Por isso eles estufam o peito e dizem:

- Você não pode viver fugindo dos problemas, você tem que enfrentá-los.

Ok, bonita a atitude desses pais/mães! Mas de nada adianta esse discurso se, novamente, negar a segurança ao filho/filha. É como falar “sobe nessa bicicleta e se tu cair, vai apanhar de mim”. Não faz sentido!!! Cadê os pais que ficam atrás do filho/filha na bicicleta e falam “tu não vai cair, eu te seguro” e que fazem curativo no joelho depois para ele se recuperar mais rápido e poder tentar de novo? Dar atenção à criança não a tornará uma “fraca”. No mínimo a tornará amparada.

E não é frescura que falta de atenção deixa as pessoas mal e a prova disso é que nós nos maravilhamos quando vemos pais e filhos conversando como se estivessem conversando com seus melhores amigos, sem receios de “para pai/mãe isso não se conta”. Geralmente nos surpreendemos quando vê uma cena assim e automaticamente imaginamos se fosse conosco. Por que nos surpreendemos? Porque o comum é ter conversas formais com os pais, é não ter intimidade, é dizer “senhor” e “senhora”. E por que será disso? O que deve ter acontecido para que não tenhamos tanta intimidade com nossos pais?

E se essas pessoas que acham que “é coisas da idade” acham isso mesmo, porque carregam com elas o sentimento de uma coisa que era para ter ficado no passado? Não era para já ter superado, já que era algo exclusivo da idade? Ou será que isso era só uma desculpa para pais preguiçosos não terem que se incomodar com os problemas dos filhos indo à escola, conversando com o diretor, professor, pais dos alunos?

Lembro de uma passagem em Harry Potter e A Ordem da Fênix onde Harry, assistindo as memórias do Professor Snape na Penseira, viu o seu padrinho (Sirius) e o seu pai (James) atacarem Snape na época em que eram alunos de Hogwarts. Harry ficou irado e Sirius tentou justificar essas ações dizendo que ele e James eram muito imaturos, pois tinham apenas 15 anos na época, ao que Harry replicou: “Eu tenho quinze anos!”

É, isso aí, Harry. Não caia nessa de “é coisa da idade” também. Isso não tem nada a ver com a idade e sim com a educação.

Bullying não é brincadeira. Se fosse, todos estavam rindo. No momento que alguém vê o outro chorar e continua implicando sem se surpreender com o choro, é porque tem algo muito errado aí. Uma criança que ouve xingamentos carinhosos dos pais (minha toupeirinha, minha bolinha, meu palitinho, meu macaquinho, minha feiosinha) geralmente levam os insultos e as implicâncias na esportiva. Mas até elas sabem quando parar, que é quando os pais falam “não, assim magoa”, “assim machuca”... E honestamente, essa é uma “diversão” dispensável para se ensinar às crianças, não é mesmo? Ensinar a ofender fazendo comparações não vai formar caráter.

Falando nisso, é engraçado que falam em formar caráter, mas nunca vi uma criança filosofando algo como “fulano disse aquilo porque é um hipócrita” ou “coitado, tenta fazer graça porque não tem atenção em casa”. Não, nunca vi uma criança formando caráter por xingar outra. A não ser que formar caráter implique em revidar mesmo que irracionalmente. Mas alguém que revida com palavras irracionais não tem caráter nenhum, só segue a correnteza.

A única coisa que formou é uma pessoa que se receber uma crítica séria, vai dizer que foi criticada por inveja ou porque quem criticou não faz sexo... Enfim, essas irracionalidades que aprenderam para “formar caráter”.

Aí fica nessa: se te criticarem, é só criticar de volta e não deixar nada te abalar. No final das contas, os pais criam aquilo que eles mesmos eram contra: uma pessoa que vive numa bolha.
Sei que alguns devem ter se achado beneficiados com o bullying que sofreu, pois sofreu e se tornou forte, mas daí eu pergunto: Quer que a criança se conforme e se adapte a idiotice alheia perpetuando isso com o discurso de que “é assim mesmo” ou quer fazer as coisas diferentes do que foi na tua época? Por que para crescer tem que sofrer? Isso é desculpa de quem não tem saco pra ir contra a corrente. Como você quer fazer um mundo melhor em que o ódio, o preconceito e a violência sejam raros, se diz para o seu filho que sofrimento é normal? “Ah, sofre aí um pouco que tô ocupado de mais pra ir lá lutar por um futuro sem sofrimento”. Um sofrimento que venha naturalmente, como morte, separações, decepções vai acontecer naturalmente. Não precisa de um bando de babaca colocando os outros pra baixo pra isso.

Aí tem crianças que falam que sofrem com isso e os pais falam “um dia passa”, daqui a uma semana realmente passou o sofrimento porque a criança se matou. Aí se ela se matou, ela era afetada das ideias e não as crianças que aprenderam com os próprios pais que é legal discriminar os colegas. Tipo, não tem alguma coisa errada aí??

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Verso da Capa de CD


Era uma vez um lugarzinho no meio do nada
Tudo estava no seu lugar
Até que você chegou em minha vida
Você fechava com os meus sonhos como ninguém
Esse amor era bom de mais
O que você fez?
Nós éramos um só
Você errou, isso não é pecado
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Você extrapolou, você passou da conta
E agora tenho um coração com buraquinhos
Se eu pudesse escolher entre o bem e o mal
Escolheria voltar no tempo em que você
Enroscava em meu pescoço, dava um beijo no meu queixo
E era um tanto másculo
Você era a música em mim
Entre razões e emoções a saída
É dizer que valeu a pena
Pescador de ilusões
Fiquei louca
E estou morrendo, a culpa é sua

sexta-feira, 22 de março de 2013

Lágrima II

Às vezes fingimos que o passado foi bonito. Mas essa atitude só mostra que o nosso presente que é bonito. Bonito o bastante para não querer estragar o momento com o pó e as teias de aranha.
Não sei se fomos obrigados a ver beleza na vida, nos emocionar e chorar para limpar nossos olhos empoeirados e opacos ou se nos acostumamos com a poeira neles e a fantasiamos bela.
Mas uma coisa é certa: Tanto poeiras antigas quanto águas novas nos olhos atrapalham a visão. Mas a poeira, que inventamos ser lindos fragmentos de cristal, esfola e rasga os olhos, enquanto que as águas novas só distorcem momentaneamente uma imagem. Não é difícil se desfazer da poeira quando lavamos nossos olhos com água nova no mesmo instante. Mas é difícil se desfazer quando nos acostumamos com ela e a fantasiamos bela.
Quem dera eu ter os olhos sempre limpos, nem empoeirados, nem encharcados, para eu poder ver as coisas como realmente são.
E cada vez que as águas novas tentam levar a poeira embora, é como se a tirassem de um estado concentrado e a espalhassem mais nos olhos... Uma poeira que, ao contrário do que muitos dizem, não faz parte de mim e do que sou. Uma poeira externa que tocou meus olhos sem eu querer. Já as água novas, são internas, brotam de mim e apesar de que, quando brotam muito e a imagem fica desfocada, é só por alguns minutos e não pela vida inteira.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Risos

Era uma vez dois amantes com riso radiante
Intenso, envolvente e gritante.

Riso originado desses dois amantes
Que foram levados por ventos dominantes.

Levado pelo tempo, levado pelos dias
Levado pelo sopro do casal que sorria.

Aos ares, o riso foi e continuou seguindo
Mas aos poucos também foi sumindo.

Passou por ouvidos alheios que o ouviram
E, de repente, outros risos surgiram.

:)

segunda-feira, 11 de março de 2013

Amada Atsuj


Amada Atsuj era uma moça que estava prestes a ingressar na faculdade, mas ainda tinha muitas Barbies na prateleira do seu quarto. Porém apenas duas eram especiais: A Tinna e A Nelly, por se parecerem, incrivelmente, com Annita e Yllena, suas melhores amigas.
Amada era muito carente e sempre que viajava, levava a Tinna e a Nelly, então ninguém se surpreendeu quando ela decidiu que levaria as bonecas para a faculdade também. E lá foi ela...
Quando chegou, ficou sabendo que não dividiria o quarto com ninguém e ficou feliz por isso porque, geralmente, a achavam esquisita por precisar da presença das Barbies.
O tempo foi passando e tudo estava indo bem... Até o dia em que alguns colegas de Amada decidiram organizar uma festa. E toda turma foi convidada.
Amada foi meio a contragosto. Ela não gostava muito de festas. Mas começou a ficar envergonhada de tanto recusar os convites.
Por não ter intimidade com ninguém, decidiu ficar perto das bebidas... E beber. Um colega que Amada nunca tinha visto sentou ao seu lado e iniciou uma conversa. Foram conversando por alguns longos minutos e devia ser muito tarde porque Amada começou a ficar com sono... Muito sono...
Amada acordou em seu quarto e nem se lembrava de como tinha chegado ali. De repente começou a ouvir vozes escandalosas nos corredores e algumas batidas na porta. Ao abrir a porta do quarto ela ficou desorientada. Havia um monte de fotos suas onde ela aparecia completamente nua! E com um cara!
Ela olhou ao redor e viu poucos rostos com dó ou igualmente horrorizados. Mas a maioria mesmo sussurrava uns para os outros comentários maldosos, uns até diziam que era vingança de algum ex que ela traiu e que agora tinha que arcar com as consequências... Ela começou a gritar que não tinha ex nenhum que foi traído e que provavelmente era o colega deles com quem ela tinha conversado noite passada, mas ninguém nunca tinha visto esse “colega” na turma. Começaram a culpá-la então por ter bebido e provocado a situação.
Não havia mais clima para ela. Voltou para o quarto horrorizada e viu as bonecas... Decidiu voltar para a casa até a questão se resolver.
A questão nunca se resolveu porque até a polícia achava que não passava de uma vingança boba e que ela deveria ter sido mais cuidadosa.
Chegando em casa, ligou para as amigas e decidiu contar o que houve. Mas qual não foi a surpresa ao ouvir da boca de suas próprias amigas que ela provavelmente tinha ido se deitar com o cara e, por falta de experiência, não soube lidar com a situação depois? E, pior: que ela podia contar a VERDADE para elas que elas não a julgariam!
Amada expulsou Annita e Yllena de casa e quando voltou ao quarto e viu as bonecas, arrancou-lhes a cabeça e jogou-as no chão e começou a quebrar as bonecas... Então ela lembrou de uma magia que tinha ouvido falar que se faz com bonecos. E foi pesquisar sobre o assunto.
Acabou conhecendo a magia e resolveu que iria praticá-la com má intenção nas pessoas com quem ela não pôde contar. Mas para praticar a magia era necessário bonecos parecidos com as vítimas.
Com o passar dos anos, motivada pelo ódio, Amada Atsuj abriu uma empresa e começou a fabricar bonecos do jeito que ela queria. Então, quando já tinha todos os bonecos necessários, enfeitiçou-os para que eles e as vítimas estivessem conectados.
Muitos colegas da época da faculdade começaram a adoecer, assim como alguns professores e policiais... E Annita e Yllena. Lenta e dolorosamente, começaram a morrer um por um.
Por fim, Amada queimou os bonecos. Mas a sua motivação não acabou. Ela decidiu que mais gente deveria ter acesso ao conhecimento da magia. E sem se importar com mais nada, decidiu espalhá-lo, mas só para aqueles que comprassem A Dama Justa. De todos os bonecos da empresa “Magia de Amada”, apenas A Dama Justa vinha com o folheto explicativo alterado. Mas era preciso ser realmente como Amada para entender o que dizia o folheto: Se você o lesse, cada palavra, de trás pra frente, entenderia o feitiço.

sexta-feira, 1 de março de 2013

The Slave of the Magic Mirror

- Espelho, espelho meu, quem é mais bela do que eu?

- Tu és a mais bela! Óbvio, nunca saí do palácio, logo, só conheço Vossa Majestade... Ah, espere, ontem uma menina veio me polir. Ela era bela.

- Uma criada? Revele seu nome!

- Eu não sei o nome de vossos criados, Majestade. Tu nunca falas deles.

- Então como era a tal menina?

- Suave, gentil, alegre...

- Não sei de quem se trata. Para mim todos são miseráveis e rudes.

- Era uma menina que tinha lábios muito vermelhos, o cabelo era negro como ébano e a pele branca, branca mesmo, como a neve.

- Branca de Neve!!!

- Não, Majestade, eu disse branca COMO a neve e não branca DE neve. Como alguém poderia ser branca DE neve? Só se ela for um boneco de neve, hehe...

- Silêncio, espelho! Se trata da minha enteada! O nome dela é Branca de Neve!

- Mesmo? Que criativo... Realmente ela era bem branca mesmo, pensei até que estivesse pálida ou que fosse um fantasma, quase morri de medo quando a vi... Até notar que era gentil e...

- Cale a boca, espelho! Agora responda-me: Qual de nós é a mais bela?

- Sem sombra de dúvidas, ela é mais bela.

- Bobagem! Todos sabem que as loiras são as mais belas.

- Não me refiro a beleza física, Majestade. Isso muda com o tempo, os padrões de beleza... Um dia o que está na moda é o cabelo encaracolado, no outro é o liso. Uma hora a moda é o corte em camadas, no outro é o chanel com franjinha, não tem como ser a mais bela porque é algo muito subjetivo. A ideia que fazemos hoje de Afrodite, a Deusa da Beleza, provavelmente não é mesma que os gregos antigos faziam. Ou seja, até a beleza da Deusa da Beleza ficou cafona com o tempo. Irônico, não?

- Mas tu disseste que Branca de Neve era a mais bela!

- Sim. Me referia a beleza do seu interior, do seu coração...

- Então eu preciso ter o coração dela dentro de mim...

- É... Bem... É mais ou menos essa a ideia, Majestade.

- Então vou mandar matá-la e comer seu coração!

- Bem, é... Espera... QUÊ? Não! Não é coração literal! Ela é mais bela por ser mais pura. Afinal é apenas uma criança.

- Então crianças possuem maior beleza... Entendi. Então se eu comer criancinhas ficarei mais bela?

- Não, Majestade! Pelo amor de deus! Para uma criança perder a sua beleza ela tem que estar envenenada, entende? Pelo ódio, pela malícia...

- Envenenada!

- Digo, não dar carinho...

- Sei, sei, não dar coisas de luxo...

- Não, me refiro a não ser tratada como um semelhante.

- Mas isso eu já faço! Não a trato como se fosse da realeza, a trato como criada.

- Sim, mas Vossa Majestade a ignora, a deixa em paz. Não necessariamente a maltrata.

- Então ela precisa de mais trabalho. Vou dar tarefas até suas roupas virarem trapo! Ela não perde por esperar!

- Majestade, me ouça, por favor, não foi o que eu quis dizer... Trabalho não maltrata ninguém e... Não, espere, Majestade! Para alguém se tornar feio é preciso que se destrua sua autoestima... Isso é que é ser maltratado... Majestade? Ah, ela nem me ouviu... Desde que perdeu a autoestima é isso, todos os dias é essa necessidade de ser a mais bela. Era mais bela quando não ligava para esse tipo de coisa. Me pergunto se sou escravo da Rainha ou se é ela que é escrava do espelho... O espelho serve para refletir, fazer ver seus próprios erros para então aperfeiçoá-los. Não para escondê-los e ficar se admirando como se fosse a pessoa mais bela do mundo. Desse jeito ela só se torna mais feia a cada dia que passa.